Bortoleto revela ambição na F1 com a Audi: "Quero ser o maior campeão"

Bortoleto revela ambição na F1 com a Audi: "Quero ser o maior campeão"
Brasileiro disse que espera fazer história com a equipe alemã na categoria. Piloto também comentou apoio da torcida após acidentes em Interlagos: "Percebi que o Brasil estava comigo"
Gabriel Bortoleto, atual piloto da Audi na Fórmula 1, destrinchou a trajetória para chegar à categoria em entrevista à "Sky Sports" e fez projeções para o futuro. O brasileiro revelou um desejo ambicioso para a carreira na competição: ser o maior campeão da F1 – atualmente, o recorde de títulos é dividido entre Lewis Hamilton e Michael Schumacher, com sete conquistas para cada um.
Porém, o brasileiro disse não pensar nisso no momento e tem como principal foco ajudar a Audi a atingir seus objetivos. Gabriel está em sua segunda temporada na F1 e tem feito exibições consistentes com a equipe alemã, que luta pelo posto de melhor time do pelotão intermediário com Alpine e Racing Bulls.
– Não quero parecer arrogante nem nada do tipo, porque não sou assim, mas a verdade é que quero ser o maior campeão. Quero ser lembrado um dia, quando me aposentar da Fórmula 1, como alguém que fez história no esporte, mas ainda há um longo caminho pela frente. Não preciso pensar em ser o maior campeão antes mesmo de conquistar um pódio. Esse não é o meu foco agora. Preciso apenas colocar a equipe onde ela precisa estar. Acredito plenamente no projeto da Audi.
– Sabemos que estamos construindo algo incrível. A Audi é uma marca que venceu tudo o que disputou na história do automobilismo, e não será diferente na Fórmula 1. Penso na trajetória de pegar uma equipe que entrou na Fórmula 1 e lutar pelo título com ela; imagine só conquistar um título com a Audi. Seria uma sensação incrível, porque é uma equipe que ajudei a construir junto com um grupo de pessoas fantástico – explicou o brasileiro.
O jovem piloto citou o tetracampeão Max Verstappen como exemplo. O holandês chegou à Red Bull em 2016 e ajudou o time austríaco a conquistar títulos: quatro do holandês entre os pilotos e dois de construtores.
– Se você consegue conquistar vários títulos com a mesma equipe, é a melhor coisa que existe. Veja o Max, por exemplo, com a Red Bull. Ele começou a carreira na Fórmula 1 com a Red Bull e já está lá há dez anos. Acho que isso é uma das coisas mais legais que um piloto pode vivenciar. Gosto de manter essa continuidade nas equipes.
– Gostei do fato de que, tanto na F3 quanto na F2, as equipes que escolhi não venciam antes da minha chegada. De certa forma, parece algo mais especial. Também gosto da emoção envolvida. Quando você vence, consegue ver isso nos olhos dos engenheiros, do dono da equipe e de todos. A primeira vez é sempre especial – afirmou o piloto, que foi campeão da Fórmula 3 e da Fórmula 2 em 2023 e 2024, respectivamente.
Enquanto tenta se colocar no patamar de grandes nomes da história da Fórmula 1, Bortoleto vive anos iniciais de aprendizado. Um dos mais complicados aconteceu no GP de São Paulo de 2025, o primeiro do brasileiro correndo em casa.
Na ocasião, o brasileiro acabou sofrendo um fortíssimo acidente a 339 km/h na última volta da corrida sprint e, no dia seguinte, abandonou a prova principal, depois de uma leve colisão com Lance Stroll.
Ao término do fim de semana, Bortoleto chegou a chorar e precisou ser consolado pela família. Na entrevista publicada pelo veículo inglês, o piloto admitiu ter ficado "envergonhado" com o desempenho em Interlagos, mas afirmou que o episódio o fez perceber que havia sido abraçado pela torcida brasileira.
– Não tenho problema nenhum em falar sobre isso porque, no fim das contas, faz parte da jornada e do aprendizado. Acidentes graves acontecem. Quando você está forçando os limites, quando está tentando coisas novas, eles acontecem. O ano passado foi uma dessas ocasiões. Acho que eu queria cada vez mais, provavelmente em parte por estar em Interlagos – iniciou, antes de acrescentar:
– Acho que, quando bati, foi o momento em que percebi que o Brasil estava comigo. Isso foi realmente incrível, porque eu me sentia envergonhado por ter batido no meu país e ter tido um desempenho péssimo. Foi um fim de semana ruim, mas, quando saí do carro e ouvi a torcida, recuperei minhas energias. Isso me fez continuar insistindo – explicou.
À época do acidente, Bortoleto ainda era piloto da Sauber, equipe que foi comprada e se transformou em Audi na atual temporada. Depois daquela corrida em Interlagos, o brasileiro teve mais três provas fora do top-10 para fechar a temporada de 2025 e, na estreia neste ano, voltou a pontuar com o nono lugar no GP da Austrália; até aqui, ele tem dez pontos no campeonato de 2026.
Ao falar sobre o tamanho da tarefa que é representar o Brasil na elite do automobilismo mundial, Bortoleto ressaltou a grandeza do desafio, mas o piloto acredita que o público do país tem sido bastante compreensivo com a atual situação dele e da Audi na Fórmula 1.
– É definitivamente uma grande responsabilidade. O Brasil tem os maiores campeões, Senna, Piquet, Fittipaldi. Não quero esquecer nomes aqui, mas Massa e Rubens também ganharam muitas corridas.
É um país que teve muito sucesso nesse esporte, e eu quero ter esse sucesso para eles. O Brasil é um país que apoia muito, no sentido de entender a atual situação (da Audi), estamos construindo algo. Ainda não tenho condições de vencer uma corrida, mas nós vamos continuar firmes – acrescentou.
Gabriel Bortoleto e Max Verstappen no GP da Grã-Bretanha da F1 2026 — Foto: Divulgação
Fonte: ge.globo
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