Sem ritmo e zero pódios: entenda má fase da Red Bull no início da F1 2026
- LANZ TV
- 18 de mar.
- 6 min de leitura
Sem ritmo e zero pódios: entenda má fase da Red Bull no início da F1 2026
Com novo motor Ford, a equipe ainda não se encontrou na temporada e acumula problemas, seja na parte aerodinâmica ou na confiabilidade. Carro recebeu várias críticas de Verstappen
Antes mesmo do início da temporada de 2026 da Fórmula 1, o tetracampeão Max Verstappen afirmou com todas as letras: a Red Bull não iria brigar por vitórias no começo deste ano. É verdade que ainda há muita água para rolar até o fim do campeonato, mas após duas corridas já é possível dizer que a previsão do holandês fazia sentido.
Até aqui, a equipe austríaca soma apenas 12 pontos na classificação e ocupa a quinta posição no campeonato de construtores, muito longe de ameaçar a líder Mercedes – atrás até mesmo da Haas e empatada com a equipe-caçula Racing Bulls, considerada uma escuderia de meio de grid.
Mas afinal de contas, o que explica o início de temporada marcado por falta de ritmo, batidas e abandonos, mesmo com uma dupla de pilotos talentosa? O ge resume abaixo.
Carro novo ainda exige ajustes
A introdução do novo regulamento de motores em 2026, com maior protagonismo da parte elétrica, abriu as portas para o retorno da Ford como fornecedora na F1. A marca americana agora auxilia a Red Bull Powertrains (divisão de motores da equipe) na fabricação das peças.
A nova unidade de potência da Red Bull tem se mostrado forte em alguns aspectos.
De acordo com dados da Fórmula 1, a equipe é a segunda força em velocidade de reta, praticamente empatada com a caçula Racing Bulls (que também usa o motor Ford) e somente atrás da Mercedes. O time de Max Verstappen chega até a superar as rivais em alguns momentos nas provas.

Max Verstappen bate e fica fora da classificação no GP da Austrália — Foto: Paul Crock/AFP
Mas, como já era de se esperar, um reinício sempre traz riscos de falhas nas primeiras provas, e é precisamente o que tem acontecido com a Red Bull. Tanto é que a equipe já quebrou por duas vezes o curfew, uma restrição imposta pela FIA que impede que os mecânicos trabalhem nos carros em determinados períodos de um fim de semana de corrida.
A primeira quebra dessa regra foi antes do treino livre 3 para o GP da Austrália, mas o time sofreu mesmo assim. A começar com Max Verstappen, que bateu forte na classificação e atribuiu a pancada a um problema nos freios.
Mesmo assim, Isack Hadjar foi bem na classificação, conseguindo o terceiro lugar no grid. No entanto, após a largada no GP, o argelino não pôde fazer nada quando o motor pifou na curva 11 e o carro soltou a temida fumaça na parte traseira, o que significou fim de prova para o francês.
Na China, a Red Bull (junto com outras equipes) quebrou o "toque de recolher" antes do primeiro treino para ajustes. E, mesmo com a falta de ritmo, tudo parecia correr bem durante o grande prêmio, até que a equipe chamou Verstappen para os boxes na volta 45 para recolher o carro.
Depois da prova, a escuderia explicou que o abandono se deu devido a um problema na refrigeração do sistema de recuperação de energia (ERS) do motor.
– Sabíamos que só o fato de conseguirmos entrar no grid em Melbourne com nossa própria unidade de potência já era uma grande conquista, e seria ingenuidade não esperar que encontrássemos problemas de confiabilidade. Hoje, tivemos que remover o Max devido a uma falha no sistema de resfriamento. No entanto, esse não foi nosso único problema, já que, no geral, em termos de desempenho, nosso pacote apresentou algumas deficiências significativas – disse o chefe de equipe Laurent Mekies, no domingo.
Pneus esfarelando
Outro ponto de reclamação dos pilotos da Red Bull (e especialmente de Verstappen) tem sido a dificuldade no gerenciamento dos pneus. De acordo com o holandês, a taxa de desgaste tem sido maior que a das outras equipes, o que torna o controle do carro mais complicado. Quanto maior o desgaste, maior a tendência de os tempos de volta aumentarem.
A frustração do tetracampeão é tão grande que ele chegou a classificar o carro como "indirigível" após a classificação em Xangai, alegando que os pneus "morreram totalmente" depois da curva 3; ou seja, ainda no início de uma volta rápida.
Na corrida, a situação se repetiu: a Red Bull foi a única equipe a calçar pneus macios em seus dois pilotos na largada. Hadjar foi aos boxes após rodar no início, mas Verstappen seguiu, e o esfarelamento dos pneus já era visível na volta 8, quando o piloto relatou que os compostos "estavam mortos" (veja o desgaste no pneu dianteiro esquerdo abaixo).
Para se ter uma ideia, a previsão da Pirelli, fornecedora de pneus da F1, era de que os carros com macios parassem entre as voltas 15 e 21. No entanto, Verstappen foi chamado aos boxes logo após reclamar. Para piorar, a Red Bull ainda levou azar com um safety car causado por Lance Stroll segundos depois de o holandês deixar o pit lane.
– Foi uma corrida difícil, com muitas coisas dando errado. O carro não parecia bom, sem equilíbrio, alta degradação dos pneus. Também havia algo errado com o volante, então há uma lista grande de coisas. Não sei nem como eu cheguei a ficar em sexto – disse Verstappen, que tentava alcançar a Haas de Oliver Bearman antes de abandonar.
Curvas de alta velocidade são problema
Se o carro da Red Bull tem mostrado força nas retas, o mesmo não pode ser dito nas curvas – especialmente as de alta velocidade. Na análise comparativa de dados divulgados pela Fórmula 1, a equipe austríaca está claramente atrás das outras equipes consideradas de topo: Mercedes, Ferrari e McLaren.
Além disso, a indicação é de que a equipe também está inferior a Haas e Audi no quesito. Durante o GP da China, a volta mais rápida ao considerarmos as duas Red Bulls foi de Max Verstappen; com pista limpa, ele virou 1:37.046. O tempo ficou 1s7 acima do melhor registrado pelo vencedor Kimi Antonelli, da Mercedes, que fez 1:35.275.
Mas a análise nas melhores voltas de cada um mostra um aspecto curioso: a Red Bull foi mais rápida nas retas, mas perdeu muito tempo nas curvas – especialmente entre a 7 e 8. Só no segundo setor da pista, Antonelli colocou mais de um segundo de diferença contra Verstappen e Hadjar.
O problema já tinha sido identificado por Verstappen na classificação, e o tetracampeão apontou a falta de aderência nas curvas como principal razão da falta de velocidade em Xangai.
– Eu sinceramente acho que este é o maior problema: nenhuma aderência, nenhum equilíbrio, perdendo quantias enormes de tempo nas curvas. Aí, é claro, você começa a engatilhar outros problemas pequenos. Mas o maior problema para nós é que as curvas estão completamente fora – disse o piloto.
Largadas lentas
Como se já não bastassem todos os problemas de confiabilidade e ritmo, a Red Bull ainda tem encontrado dificuldades nos inícios de corrida.
Verstappen, por exemplo, largou em oitavo e caiu para 15º na sprint em Xangai, e na prova principal desceu de oitavo para 13º. Os percalços não são uma coincidência: a forma como o motor funciona neste ano faz com que os pilotos tenham que aumentar a rotação do motor à combustão para largar, e um novo procedimento de início foi introduzido após as reclamações das equipes na pré-temporada.
Alguns times se adaptaram melhor – caso da Ferrari, que percebeu que isso seria um problema antes da temporada começar e tem voado nas largadas. A Red Bull, por outro lado, tem sofrido com esses inícios.
– Eu não tinha bateria em Melbourne, e aqui os dois problemas foram iguais. Eu simplesmente não tenho potência. Assim que eu solto a embreagem, o motor não responde – explicou Verstappen.
Lewis Hamilton assume a liderança, e Leclerc briga pelo segundo lugar com Kimi Antonelli
A Red Bull terá uma semana de pausa para tentar entender e corrigir alguns problemas antes do GP do Japão, no dia 29 de março. Em seguida, a Fórmula 1 terá pausa de um mês devido ao cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita; agora, resta saber se a equipe austríaca vai aproveitar bem os períodos sem corridas.
Fonte; ge.globo
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